O MUNICÍPIO DE SOMBRIO

 HINO DO MUNICÍPIO DE SOMBRIO – SANTA CATARINA

AUTORA: Profa. HILDA BORBA DA SILVA

Crédito: Feijão, Gledis e Cris (Sombrio- Santa Catarina)

 Localização

APRESENTANDO UM POUCO DA HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE SOMBRIO
 

Foto antiga; Vista da Avenida Getúlio Vargas

Crédito: Brenner W. Cardoso

 O município de Sombrio é um dos quinze que pertencem à Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), situado às margens da BR 101. Faz limites: ao sul, com Santa Rosa do Sul; ao norte, com Araranguá e Ermo; a oeste com Jacinto Machado e a leste com Balneário Gaivota. Localiza-se a 30 km da fronteira do Rio Grande do Sul e a 245 km de Florianópolis. Tem uma área de 142,7 km2.

A cidade tem uma rica história, digna de ser contada e recontada pelas gerações que nela passaram e pelas que virão.

Em julho de 1952, o Serviço de Alto Falante “A Voz de Sombrio”, em seu programa “Variedades Musicais”, abriu espaço para a leitura de um telegrama enviado pelo então deputado estadual Antônio de Barros Lemos, ao reverendo Padre João Reitz da Paróquia da sede.

De acordo com VIGNALI (1993), o cidadão Mário Sant’Helena entrou no pequeno estúdio e lhe entregou um telegrama determinando a leitura imediata da mensagem, que lhe causou surpresa: “Apraz-me comunicar Vossa Excelência Reverendíssima Assembléia Legislativa disposta a emancipar Sombrio com o nome de Liriópolis. Saudações Antônio de Barros Lemos, deputado estadual”.

Embora o alcance do “A Voz de Sombrio” não fosse muito grande, em poucos minutos dezenas de ouvintes se dirigiram até o estúdio, então localizado em frente ao salão paroquial para saber mais detalhes sobre o inusitado nome lido pelo locutor.
De acordo com VIGNALI (1997, p. 2), teria sido o padre João Reitz quem indicara o nome de Lirianópolis – ‘Cidade dos Lírios’ -, por serem os lírios na época abundantes em toda a região. As opiniões se dividiram, mas a maioria da população queria o nome Sombrio.
O nome “Sombrio” desperta muita curiosidade em seus próprios moradores e, sobretudo, nos visitantes, sendo que a tradição oral contempla duas versões: a primeira, é que por ser um município com figueiras em abundância, que formavam um refrescante abrigo do forte sol de verão na época dos tropeiros que conduziam rebanhos por estas terras, os viajantes paravam debaixo delas para um merecido descanso após percorrerem muitas léguas. Assim, conforme FARIAS (2000, p. 31), diante do “movimento das águas do rio da Laje, associavam toda massa da água da região do rio, identificando a área de repouso como sendo “sombra do rio”, que evoluiu para Sombrio: “local da sombra sobre o rio”.
 

 

Também a tradição oral remonta a história de que desbravadores, vindos de Laguna, ao vislumbrarem um morro escuro, sombrio, a cujo sopé formando como que um espaço vazio, desfraldava-se um lago ou lagoa […], constataram as acolhedoras sombras das grandes figueiras que se erguem nas margens da lagoa, tornando ainda mais escuras as águas, deixando ver o reflexo brilhante na parte não sombreada. O morro, ainda distante da expedição, mostrava-se sombrio, principalmente pela distância. […] junto às margens da lagoa avistam as grandes furnas […]; o morro ficou conhecido a partir de então pelo nome de Sombrio (FARIAS 2000, p. 31).

Como se pode notar, a história de Sombrio nasce povoada por fatos inusitados, e conhecer sua história, sua cultura e seu ambiente é caminho para a conscientização do importante patrimônio natural, paisagístico e cultural. Nessa perspectiva, a história de Sombrio mistura-se a peculiar personalidade dos índios Xokleng e Carijó que habitavam na região à valentia de seu primeiro morador, José João Guimarães. Conforme FARIAS (2000), “a ocupação humana de Sombrio é tão antiga quanto a presença dos indígenas no litoral catarinense […]; já havia índios na região litorânea de Santa Catarina há pelo menos 1.500 anos”.

A natureza foi pródiga com o município oferecendo as belas furnas, ponto de atração turística, e a maior lagoa de água doce do Estado medindo 16.368 km de comprimento com cerca de cinco quilômetros de largura; o perímetro é de 54 Km e a profundidade máxima é de 3 metros. A Lagoa, de acordo com FARIAS (2000, p. 56), “oferece recantos de rara beleza, nas localidades em que é margeada […]; suas matas marginais são habitadas por grande variedade de orquídeas”.

O imenso volume de água doce desafiou a coragem e instigou a curiosidade do primeiro morador do município, João José Guimarães, descendente de portugueses, que deixou o Norte do Rio Grande do Sul, em busca do Morro Sombrio.

Nesse contexto, João José Guimarães ouvira dos pescadores tempo atrás que do outro lado da lagoa havia terras férteis próximas a um monte que os antigos chamavam Morro Sombrio, pois o sol quando se punha o deixava todo sombreado, mas ninguém nunca havia plantado nada por aquelas bandas para saber se alguma coisa vingava. Poucos, aliás, tinham se atrevido a descer de seus barcos, já que era notória a presença de indígenas por aqueles lados. João e os outros não demonstravam medo. Estavam preparados para a empreitada, para a qual haviam levado um pesado armamento (COELHO, 2003, p. 237).

João José Guimarães gostou do lugar e veio com sua família, se estabelecendo às margens da Lagoa de Sombrio. Guimarães permaneceu em terras sombrienses por muitos anos, até possuir terras do governo. Suas filhas se casaram com aventureiros que passavam por Sombrio. Aos poucos, foram chegando novos imigrantes em busca de terras para plantações, dedicando-se exclusivamente à agricultura. O povoado foi se expandindo e a presença do homem branco foi tomando conta da região.

Com o povoamento surgiram as primeiras plantações e, de acordo com FARIAS (2000, p. 131), “a mais antiga produção agrícola do município de Sombrio foi a mandioca, base da economia até a década de 1950 [..] utilizada para a produção do polvilho (…).

Bem mais tarde, em 30 de dezembro de 1953, a emancipação do município aconteceu, quando a Mesa da Assembléia Legislativa, sob a presidência do deputado Volney Colaço de Oliveira, promulga Lei nº 13, criando o município de Sombrio, pois desde 1880 pertencia à Araranguá, tornando-se Distrito em 1914.

Em ato realizado no dia 2 de abril na Prefeitura Municipal de Sombrio, o tenente Aminthas Melo tomou posse como Prefeito Provisório do município, que permaneceu no cargo até 03 de outubro do ano seguinte. No entanto, alegando motivos particulares o tenente Aminthas Melo deixou o cargo, passando a administração do município a Francisco Lummertz Júnior, conhecido político do Sul, que por sua vez, permaneceu na função até ser empossado o primeiro prefeito eleito, Santelmo Borba, pelo então PSD.

Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Sombrio. Disponível em: <http://www.sombrio.sc.gov.br&gt;. Acesso em 5 de maio de 2010.